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abril 20, 2021

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO RETORNO AULAS PRESENCIAIS

Cards Sintraseb CARTA ABERTA EDUCAÇÃO

Manifesto pelo combate e controle da pandemia! Em defesa da VIDA e da ECONOMIA. Retorno das aulas presenciais só após a vacinação!

Considerando que a pandemia da Covid-19 é uma infeliz realidade que ceifou mais de 224 mil brasileiros/as, sendo 6.340 (até 31/01/2021) em Santa Catarina;

Considerando que o Brasil tem sido apontado em estudos internacionais como o país que tem o pior desempenho no combate da pandemia e responde pelo segundo maior número de mortes – com menos de 3% da população mundial responde por 10% das mortes;

Considerando que após 10 meses de pandemia, o número de contaminados com o vírus ativo, a taxa de transmissão (Rt), o número diário de mortes e os índices de ocupação hospitalar (enfermarias e UTIs) apresentam uma forte elevação no início desse ano;

Considerando que os estudos científicos já identificaram que o ambiente escolar se constitui em espaço privilegiado para a proliferação do vírus, portanto, o retorno precipitado das aulas presenciais é um grave risco para o aumento da contaminação e circulação do vírus colocando em risco a vida de toda população e também o desempenho da economia que é altamente impactada pelo mapa de risco da pandemia – quanto mais alto o índice de contaminação e mais longo o período da pandemia, mais doentes, mais mortes e mais prejuízos econômicos – controlar a pandemia é uma necessidade em defesa da vida e da economia – nesse momento, é o controle ou descontrole da pandemia que cadencia a vida e a economia – Manaus é o (mau) exemplo – retornou com as aulas presenciais, relaxou no distanciamento social e caminhou para o caos sanitário, social e econômico.

Considerando que a solução colocada de retorno das aulas presenciais de forma “híbrida” é uma solução pouco inteligente, porque só resolve 50% do problema da ausência das aulas presenciais (os alunos continuarão 50% do tempo em casa), e, com a aglomeração no espaço escolar e seus “encontros cruzados” agrava a pandemia em termos de contaminados, doentes, ocupação hospitalar, mortes e extensão da pandemia no tempo devido a manutenção de um nível alto de circulação do vírus – o retorno precipitado das aulas presenciais pode vir a ser uma “tragédia anunciada”;

Considerando que ao longo da pandemia o Presidente da República e muitos governantes demonstraram pouca prioridade no combate da pandemia, o despreparo do Ministro e a inoperância do Ministério da Saúde, e que esse combate pode ser melhorado com ações mais assertivas dos governos, fundamentadas nas ciências e no bem-estar social coletivo;

Considerando (apesar do atraso e lentidão) o início da vacinação da população brasileira, que pode ser acelerada se os governos derem a devida prioridade para essa ação que é indispensável para o controle da pandemia;

O Conselho Diretor da Federação dos Trabalhadores Municipais de Santa Catarina, reunido de forma online no dia 30 de janeiro de 2021, aprovou o seguinte manifesto e movimento:

  1. Pelo combate e controle da pandemia – para recuperar a vida e a economia.
  2. Retorno das aulas presenciais só após a vacinação e imunização de pelo menos toda a população dos grupos de risco (idosos acima de 60 anos e pessoas com menos de 60 anos portadoras de comorbidades) e os/as trabalhadores/as da educação.
  3. Construir com os trabalhadores da educação e a comunidade escolar a organização do calendário escolar de 2021, iniciando o ano letivo na forma já utilizada ao longo de 2020 e retorno das aulas presenciais quando a pandemia estiver controlada, após a vacinação que trata o item 2 e uma redução significativa na circulação do vírus e da taxa de transmissão (Rt), ou seja, quando tivermos condições mais seguras à volta do encontro social e aglomeração no espaço escolar, sem o risco de perder o controle da pandemia.

Participam desse manifesto/movimento os seguintes sindicatos filiados:

Sindicato Único dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Blumenau – Sintraseb
Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de São José do Cedro e Região – SINDI-SJCR
Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Campo Erê e Região – SSMCE
Sindicato dos Servidores Públicos Municipais do Extremo Oeste de Santa Catarina – SISME

Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Chapecó e Região – SITESPMCHR
Sindicato dos Servidores e Funcionários Públicos de Seara – SSFMS
Sindicato dos Servidores do Município de Concórdia e Região – SSMCR
Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Fraiburgo e Região – SINTSERFBR
Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Canoinhas – SISPUC
Sindicato dos Servidores Municipais de Bom Retiro – SSMBR
Sindicato dos Funcionários Públicos do Município de Alfredo Wagner – SINPAW
Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Araranguá – SITSPMA
Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Forquilhinha – SINSERF
Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Criciúma e Região – SISERP-CRR
Sindicato dos Trabalhadores na Área da Educação da rede Municipal de Tubarão e Capivari de Baixo – SINTERMUT
Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Palhoça – SINTRAMPA
Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de São José – SINTRAM-SJ
Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Florianópolis – SINTRASEM
Sindicato dos Servidores Públicos Municipais da Região da Foz do Rio Itajaí – SINDFOZ
Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Joinville, Garuva e Itapoá – SINSEJ
Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Jaraguá do Sul e Região – SINSEP
Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Timbó e Região – SISETI
Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Indaial – SINSERPI
Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rio do SUL e Região – SINSPURS

………………………..

 

SOBRE O RETORNO DAS ATIVIDADES PRESENCIAIS NA EDUCAÇÃO

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DE BLUMENAU

O ano de 2020 tem apresentada inúmeros desafios para a classe trabalhadora.  Na última semana os trabalhadores da educação do nosso município vivenciaram mais um momento de angústia, quando, no dia 04 de novembro, o Governo do Estado de Santa Catarina, juntamente com a Secretaria de Estado da Saúde, publicou a alteração da matriz de risco, onde coloca Blumenau novamente na cor LARANJA, ou seja, EM NÍVEL GRAVE.

Indo na contramão do que diz os grandes especialistas e contra todo o apelo dos trabalhadores e trabalhadoras da educação e da população em geral, o Governo do Estado de Santa Catarina publicou no dia 06 de novembro as portarias n° 853, 854 e 855, que autorizam e estabelecem critérios para o retorno das atividades escolares/educacionais presenciais, nas regiões de Saúde com Risco Potencial GRAVE (representado pela cor LARANJA).

Nós, Sindicato Único dos Trabalhadores no Serviço Público de Blumenau – Sintraseb, representantes legais da categoria, viemos por meio desta carta, solicitar atenção, empatia e cuidado, do Governo Municipal e da população em geral, no que se refere ao retorno das aulas presenciais no município de Blumenau.

Desde o início da suspensão das atividades educacionais presenciais, os profissionais da educação estão na linha de frente na implementação das propostas e alternativas, apresentadas pela Secretaria de Educação do nosso município, para viabilizar e concluir o ano letivo de 2020.

Ademais, lidamos diretamente com os medos, angústias e incertezas de toda categoria, e podemos, com plena segurança afirmar, após pesquisa realizada com a categoria, 98,1% dos trabalhadores e das trabalhadoras apontam que, o retorno é nada seguro ou pouco seguro, na atual conjuntura. São inúmeras vidas em jogo, trabalhadoras e trabalhadores, estudantes e comunidade escolar como um todo, e suas vidas importam. E muito!

Ressaltamos ainda que temos, na rede pública de ensino do nosso município, mais de 30.000 estudantes matriculados(as) e mais de 3.300 profissionais que atuam nas unidades de ensino, se tornando um quantitativo que, por si só, aponta para um quadro assustador de potencial de contaminação.

Não podemos considerar a volta às aulas como se estivéssemos em “normalidade”, elevando o risco de levar milhares de pessoas a se contaminarem pela Covid-19, que, até o momento, não possui nenhum medicamento e/ou vacina, tratamento específico ou prevenção que garantam um retorno seguro. Neste momento, somente no município de Blumenau, contabilizamos 162 vidas perdidas e 16.240 casos confirmados de COVID-19, segundo a própria Prefeitura Municipal de Blumenau.

O retorno às aulas aumenta o risco de contaminação de estudantes e seus familiares, e das trabalhadoras e dos trabalhadores da educação do nosso município. Não se tem garantia do cumprimento dos protocolos de saúde no transporte escolar, no distanciamento orientado para salas de aulas, na alimentação escolar, bem como a falta de equipamentos de proteção individual, o que eleva o número de possibilidades de casos de Covid-19 no município, nas escolas e nas comunidades, tornando mais grave o quadro de mortes.

Acreditar que os estudantes não compartilharão o lanche, que não se aproximarão, não se tocarão, que manterão as máscaras corretamente posicionadas por horas, que manterão higiene rigorosa sem a supervisão constante de um adulto é compor uma obra de ficção. Nessa cena de ficção, as educadoras e os educadores não conseguirão manter o distanciamento se uma aluna ou aluno se machucar; As aulas não poderão ser sistematicamente interrompidas para a higienização do espaço; As escolas não possuem estruturas físicas adequadas para garantir o distanciamento e as medidas sanitárias necessárias.

Como representantes das trabalhadoras e dos trabalhadores da Educação, conhecemos a realidade das escolas e os riscos que a retomada precoce traz a toda a comunidade. As atividades remotas, criteriosamente planejadas por quem tem a Educação como profissão, estão longe do nosso ideal pedagógico, pois temos a firme convicção de que nada substitui a interação direta entre professoras, professores e seus estudantes nas salas de aula. O atendimento não presencial, oferecido por meio da plataforma, gera inúmeros desafios e imensa sobrecarga na carreira das educadoras e dos educadores e das estudante se dos estudantes, mas entendemos que hoje ele é sinônimo de amor ao próximo, é sinônimo de preservar vidas.

Sabemos que a escolha por preservar e proteger VIDAS é, sem dúvida, um ato de coragem e grandeza. O retorno às atividades presenciais, neste momento, é assumir uma responsabilidade por uma catástrofe imensurável e irreversível.

Ano letivo se recupera. Vidas não!

Blumenau, 11/11/2020

Diretoria Colegiada do Sintraseb






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